E você, o que vai fazer?

Depois que anunciamos nossa mudança para Londres a pergunta que mais respondo é ˜E você, o que vai fazer?”. Estranhamente essa pergunta vem me atormentando um pouco. Ok, pessoal, eu realmente gostaria de surpreender a todos com respostas incríveis como “Vou ser diretora de Marketing da Burberry”, “Vou tirar dois anos sabáticos”, “Vou fazer uma nova personagem na próxima temporada de Game of Trones, que contracena com a Khaleesi e com o Jon Snow”…seria incrível qualquer uma dessas opções, e com certeza as pessoas iriam conseguir passar horas ao meu lado perguntando milhares de detalhes e ficariam super empolgadas com cada uma das respostas. Mas, infelizmente meu discurso é totalmente diferente, e talvez também surpreenda as pessoas, mas não positivamente. Quando eu respondo dizendo que irei estudar inglês e depois, talvez, quem sabe, tentar trabalhar e fazer algum curso que eu goste, ou algum que eu não goste apenas para dar um “up”no meu CV, percebo que as pessoas me olham como se eu estivesse com o dente sujo. Parece que estão descontentes com o que estão vendo e ouvindo. E sempre terminam a conversa me dando dicas e dizendo para eu não ficar sem fazer nada que posso acabar entrando em depressão.

A verdade é que a responsabilidade por esse papo me incomodar não é de quem pergunta e sim de quem responde, mesmo sabendo que as pessoas são extremamente exigentes e nunca estão satisfeitas com minhas respostas, eu deveria estar mais segura, mais preparada para esse tipo de questionamento, e, principalmente mais despreocupada com a reação alheia. Como diz o Otis em uma das músicas mais lindas dos últimos tempos que só fui descobrir aqui em Londres: “I can’t do what ten people tell me to do, so I guess I’ll remain the same”.

Sempre que escutava o inicio da frase “E você, o que….” eu já suava frio. Uma postura infantil e insegura.

Quem foi por 10 anos atendimento de agência de propaganda como eu, ou simplesmente quem já trabalhou com vendas, sabe que para vendermos algo ao cliente, antes precisamos acreditar naquele produto ou ideia. Pois é, o problema é esse. Quando respondo sobre meu futuro aqui em Londres não me sinto confortável, não acredito na minha resposta, e isso faz com que meu tom de voz transpareça insegurança. A minha interpretação desse momento de mudanças e inseguranças que estou vivendo é simples, eu de um lado da mesa e minha vida de outro, e nesse exato momento do jogo minha vida está olhando para mim e pedindo “Truco!”.

Truco? Pois eu estou aqui para te te falar uma coisa, minha cara vida: Então eu peço seis!

É isso mesmo, eu decidi mudar um pouco os planos por aqui, decidi recriar tudo outra vez. E em questão de segundos, quase que magicamente, minha consciência me respondeu o que eu queria ouvir, me respondeu a verdade, o que eu realmente quero fazer da minha vida, bastava eu ter me escutado esse tempo todo. Certo ou errado, agora meus planos vão além de currículo, preço ou conveniência, eles são baseados apenas em vontade própria. E quer saber o que é mais irônico? A resposta estava o tempo tempo na minha cabeça e no meu coração, eu é que não dava bola pra eles, ficava pensando no óbvio, no lógico.

Esse tempo todo, quem sabe durante toda a minha vida, eu estava respondendo apenas o que os outros queriam ouvir, e não o que de fato eu queria. É incrível como sem perceber passamos uma vida inteira pensando em todos, menos em nós mesmos. E isso acontece porque eu e 90% da população desse mundão temos medo de mudar, de assumir que não estamos nem aí para o nosso currículo, de dizer na frente do espelho que estamos cansados do que fazemos, ou seja, nós temos medo de assumir que queremos ser felizes. Mas quer saber, agora eu aprendi: Fale sempre o que de fato você quer fazer, mesmo que sua resposta seja “quero comer hambúrguer agora e depois não sei, preciso pensar”. Vai ver como a pulga, ou melhor, o Poodle inteiro sairá de trás da sua orelha.

Vamos fazer um teste? Então vai lá, me pergunta agora: “E você Johana, o que vai fazer?”

Vou fazer as quatro coisas que eu mais amo na vida. Não, eu não vou comer Nutella todo dia por 2 anos. Vou fazer quatro coisas que sempre quis me dedicar e nunca tive tempo: Correr, escrever, estudar gestão de pessoas e moda. Ufa, quantos planos, né? Pra quem não sabia nem por onde começar…

Ja dizia alguém por ai: A verdade liberta.

Mas corre, porque a vida passa mais rápido que o Usain Bolt, e enquanto você está lendo esse texto ela já está no penúltimo km.

Ah, não deixem de ouvir a música do Otis que coloquei aqui: https://www.youtube.com/watch?v=UCmUhYSr-e4

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